Otimização para Motores de IA: Porque é que a sua marca não aparece?

Estratégias de otimização para motores de IA

Durante muito tempo, a visibilidade digital mediu-se por posições no Google. Se o website aparecia nos primeiros resultados para uma pesquisa importante, havia uma boa probabilidade de captar visitas e gerar oportunidades de negócio.

Esse princípio continua a ser válido, mas a forma como as pessoas pesquisam está a mudar. Em vez de analisarem uma página de resultados, muitos utilizadores fazem perguntas diretamente ao Google e às ferramentas de IA e esperam uma resposta informada. 

Agora, a questão já não é apenas “em que posição aparece o meu website?”, mas também “a IA recomenda ou menciona a minha marca quando alguém procura o que ofereço?”.

É neste contexto que surge a otimização para motores de IA, uma abordagem que procura aumentar a probabilidade de uma marca ser encontrada, compreendida e mencionada nas respostas geradas por ferramentas de inteligência artificial.

Otimização de SEO | AEO | GEO

1. Estar bem posicionado não garante ser citado

Na pesquisa com IA, o processo é diferente do habitualmente conhecido. A ferramenta interpreta a pergunta, procura informação em várias fontes e cria uma resposta que reúne os dados mais relevantes para aquele contexto. 

Isto significa que a IA pode recorrer a uma página de serviço, artigo de blog, comunidades online, etc e, depois de selecionar essas fontes e apresentá-las como referências para sustentar a sua resposta. 

Por isso, estar em primeiro lugar continua a ajudar, mas deixou de ser a única condição para ganhar visibilidade. Os dados da AirOps ajudam a explicar esta mudança, segundo o mesmo, 60% das citações nas AI Overviews provêm de URLs que não aparecem no top 20 dos resultados orgânicos.

Na prática, isto significa que o posicionamento tradicional e a presença nas respostas geradas por IA não são exatamente a mesma coisa. Por exemplo, uma empresa pode estar bem posicionada para a pesquisa genérica “calçado de corrida”, mas não ser mencionada quando alguém pergunta “qual é a melhor loja de calçado de corrida para quem tem problemas nos joelhos?” ou “onde comprar calçado de corrida personalizado no Porto?”.

É precisamente aqui que a otimização para motores de IA ganha relevância, uma vez que a visibilidade de uma marca passa também pela forma como a informação disponível online pode ser interpretada e utilizada por estas ferramentas.

2. Publicar e esquecer o conteúdo deixou de funcionar

Durante anos, muitas empresas criaram artigos para responder a uma dúvida, publicaram-nos e avançaram para o tema seguinte. O problema é que a informação útil hoje pode deixar de ser relevante daqui a dois anos, sobretudo quando mudam os preços, os serviços, a regulamentação, as tendências ou as necessidades dos clientes.

Na pesquisa com IA, esta atualização ganha ainda mais importância. Os dados da AirOps mostram que as páginas que passam mais de três meses sem serem atualizadas têm três vezes mais probabilidade de perder visibilidade nas citações do que as páginas atualizadas recentemente.

Esta diferença é particularmente relevante nas pesquisas comerciais, em que os utilizadores estão a comparar opções ou próximos de tomar uma decisão, nesses casos, cerca de 83% das citações provêm de páginas atualizadas no último ano.

Isto não significa que uma empresa tenha de publicar todos os dias, mas que deve acompanhar e atualizar as páginas que já existem, para garantir que a informação continua correta, relevante e alinhada com a realidade do negócio.

A otimização para motores de IA passa também por garantir que os conteúdos existentes continuam a fornecer informação atual, clara e relevante para as perguntas que os utilizadores fazem.

Como fazer otimização para motores de IA

3. A idade não determina a qualidade do conteúdo

A necessidade de atualização pode levar algumas empresas a cometer o erro oposto, que é reescrever tudo com demasiada frequência. Não é necessário substituir um artigo sólido e bem construído apenas porque já não é recente.

O que importa é perceber se a informação continua correta, útil e adequada à intenção de pesquisa. Uma análise da Ahrefs, referida pela Digital Applied, ajuda a colocar esta questão em perspetiva, o estudo analisou quase 17 milhões de URLs citados em sete plataformas de IA e concluiu que os conteúdos citados tinham, em média, 1.064 dias, cerca de 2,9 anos, enquanto os resultados orgânicos do top 10 tinham uma média de 1.432 dias, aproximadamente 3,9 anos.

Estes dados demonstram que os conteúdos citados por IA tendem a ser mais recentes, mas também desmonta a ideia de que apenas os conteúdos publicados há poucos meses conseguem ganhar visibilidade, a diferença entre os dois grupos foi de 25,7%, e não de vários anos.

Por isso, a atualidade do conteúdo importa, mas não deve ser tratada como uma fórmula mágica, um artigo publicado há dois ou três anos pode continuar a ser uma excelente fonte se tiver informação correta, uma estrutura clara e respostas relevantes para os utilizadores.

O verdadeiro problema é o abandono do conteúdo, uma página perde valor quando apresenta dados antigos, serviços que já não existem, exemplos ultrapassados ou informação que já não corresponde à realidade da marca. Assim, antes de criar mais um artigo, pergunte-se se existem páginas importantes que precisam de ser atualizadas.

4. A reputação da marca constrói-se fora do website

O website é o centro da comunicação digital de uma empresa, mas não é o único lugar onde a sua marca é avaliada. Quando as ferramentas de IA procuram respostas, também podem ter em conta o que outras fontes dizem sobre a empresa.

Segundo a AirOps, cerca de 85% das menções a marcas em pesquisas comerciais têm origem em domínios de terceiros. Isto acontece porque, numa fase inicial de pesquisa, as ferramentas de IA recorrem frequentemente a comparadores, listas, artigos especializados, para perceber se as empresas são reconhecidas numa categoria.

Para uma pequena e média empresa (PME) portuguesa, isto deve ser adaptado à realidade do seu setor e público, nomeadamente através de diretórios especializados, imprensa setorial, associações empresariais, avaliações no Google e ainda a presença em grupos de Facebook relevantes.

Uma estratégia de otimização para motores de IA deve, por isso, considerar não apenas o que a empresa diz sobre si própria, mas também os sinais e referências que existem sobre a marca noutras plataformas e websites.

5. Medir apenas cliques não chega

Quando se fala em visibilidade na pesquisa com IA, é natural perguntar quantas visitas essa presença gera. No entanto, esta métrica já não mostra a história completa.

Uma das razões é que a pesquisa com IA responde diretamente a muitas dúvidas, sem exigir que o utilizador visite qualquer website. Um estudo da Pew Research Center, citado por Kevin Indig, observou que apenas cerca de 1% dos utilizadores clicava nas citações incluídas nas AI Overviews.

Além disso, medir este tráfego é difícil, a mesma análise indica que 70,6% do tráfego referido por IA pode chegar ao Google Analytics identificado como “Direto”, porque a origem é removida antes de a visita ser registada. Isto não significa que os cliques deixaram de importar, significa que devem ser interpretados em conjunto com outras métricas e não como o único indicador de sucesso.

Imagine, por exemplo, que uma pessoa pergunta a uma ferramenta de IA quais são as melhores barbearias no Porto. A sua empresa é mencionada, mas o utilizador não clica imediatamente na citação, dias mais tarde, pode pesquisar diretamente o nome da sua empresa, visitar o website ou preencher um formulário. Contudo, se analisar apenas o clique gerado pela resposta inicial da IA, essa influência pode passar despercebida.

Por isso, uma métrica mais útil é a quota de citação, ou seja, a frequência com que a sua marca aparece nas perguntas relevantes para o negócio, é referida corretamente e surge entre as opções recomendadas.

Agência de Marketing para IA

6. SEO e IA devem trabalhar em conjunto

Com o crescimento da pesquisa com IA, surgiram novos termos como GEO (Generative Engine Optimization), AEO (Answer Engine Optimization) e LLMs (Large Language Models), estes podem ser úteis para descrever a evolução do mercado, mas não devem afastar as empresas do essencial. O GEO e o AEO referem-se à otimização de conteúdos para respostas geradas por IA, enquanto os LLMs são os modelos responsáveis por interpretar perguntas e produzir essas respostas.

A otimização para motores de IA não substitui o SEO. A pesquisa com IA não substitui o SEO, complementa-o. Um website acessível, rápido, bem estruturado e compreensível para os motores de pesquisa continua a ter mais probabilidade de ser encontrado, interpretado e citado.

Um estudo da Semrush, realizado junto de 481 profissionais de marketing, concluiu que apenas 22% têm um processo totalmente integrado entre SEO e pesquisa com IA. Entre as equipas que trabalham os dois canais de forma unificada, 81% reportaram mais tráfego ou leads associados a plataformas de IA, face a 36% das equipas que os gerem separadamente.

Estes dados não significam que exista uma fórmula garantida para aparecer nas respostas de IA. Sugerem, sim, que tratar o SEO e a pesquisa com IA como áreas totalmente independentes pode dificultar a criação de uma estratégia coerente.

Na prática, uma página deve cumprir vários objetivos ao mesmo tempo, ser tecnicamente acessível, responder à intenção de pesquisa, apresentar informação clara, demonstrar experiência e ainda reforçar a autoridade da marca. A diferença não está numa fórmula secreta, mas em garantir que a estratégia de conteúdos, o SEO técnico, a reputação digital e a análise de resultados seguem o mesmo objetivo.

Então o que é que pode fazer? 

A pesquisa com IA pode parecer uma mudança complexa, mas os primeiros passos são bastante práticos.

  • Comece por identificar as páginas mais importantes do seu website, sobretudo serviços, produtos, preços, comparações e conteúdos que geram contactos.
  • Reveja todas as páginas com mais de 12 meses e confirme se os dados, exemplos, serviços e chamadas para ação continuam corretos.
  • Atualize primeiro as páginas que têm maior impacto comercial e aquelas que estão a perder tráfego, conversões ou visibilidade.
  • Garanta que cada página responde diretamente à questão principal logo nos primeiros parágrafos, sem obrigar o utilizador a procurar a informação essencial.
  • Organize os conteúdos com um H1 claro, subtítulos por ordem lógica, listas quando forem úteis e secções que façam sentido mesmo quando lidas isoladamente.
  • Confirme que o website está acessível aos motores de pesquisa, devolve páginas funcionais e não utiliza bloqueios que possam impedir a pré-visualização do conteúdo.
  • Reforce a presença da marca fora do website através de avaliações, diretórios, parceiros e conteúdos relevantes para a comunidade do setor.

A inteligência artificial não cria uma reputação do zero, esta reúne sinais e informação online para construir uma resposta. Quando esses sinais são fracos, desatualizados ou contraditórios, torna-se mais difícil para a marca ser reconhecida como uma opção relevante. Pelo contrário, uma presença digital clara, consistente e validada por fontes credíveis aumenta a probabilidade de a empresa ser mencionada quando alguém procura precisamente os produtos ou serviços que oferece.

Quer perceber se a sua marca aparece nas pesquisas que realmente interessam ao seu negócio? Fale connosco.

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